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ESTUDO DE CASO

Page history last edited by Rosilaine Jacoboski 2 years, 10 months ago

 

 

 

 

UNIDADE 3

 

 

SERVIÇOS DE ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO

 

 

          PARTE A

 

Descreva quais são os serviços especializados que existem no seu Município e quantos alunos são atendidos por estes serviços?

 

Recebemos as respostas por e-mail. A entrevista estava marcada para o dia 09/05/09, no entanto, a entrevistada da SEMEC  não pode fornecer os dados tinha outro compromisso.

 

   ►    Serviços especializados: temos como apoio nas escolas, mas não realizamos atendimentos individuais/clínicos, somente institucionais, contemplando toda a comunidade escolar.(alunos, pais e profissionais da educação).

A equipe é formada por 4 psicólogas e 1 fonoaudióloga.

Estamos iniciando a implantação desta modalidade no município, com políticas claras de rede, mas já temos várias experiências com crianças com necessidades especiais em algumas escolas.

Temos duas turmas de Progressão de Saberes (alunos com defasagem idade-série), e com esses alunos estamos fazendo avaliações psicopedagógicas, para podermos diagnosticar etrabalhar com mais eficiência as dificuldades das crianças.

Teremos um primeiro encontro, no dia 28 de maio, com uma assessora, de Porto Alegre, para iniciarmos a discussão sobre as diretrizes legais.

 

   PARTE B

 

Vou realizar o estudo de caso com meu aluno Pedro (nome fictício) de 12 anos, que está na 4ª série, não está alfabetizado e tem dificuldades na fala.

 

 

 

 

 

ESTUDO DE CASO

 

 

PRIMEIRA SEMANA

 

O meu aluno Pedro (nome fictício) de 12 anos, que está na 4ª série, não está alfabetizado e tem dificuldades na fala.

É um garoto alto, tímido, retraído, chora por qualquer coisa, fala pouco, tem oscilações de humor. Tem momentos que ele está feliz, sorri e brinca com os colegas, de repente está triste, começa a chorar . Não se envolve em brigas ou confusões, adora jogar futebol. Ele é o mais alto e o mais velho da turma, passa a maior parte do tempo deitado sob a mesa ou curvado para se igualar na altura dos demais colegas do grupo.

Aos poucos a confiança do Pedro em mim está aumentando. Ele está conversando mais comigo, o problema é que às vezes eu não entendo o que ele fala.

Ele está ciente das suas dificuldades. Quando eu olho seu caderno ele logo fala:

- Você não vai entender. Eu não sei escrever e nem fazer as coisas.

Tento animá-lo dizendo que ele é capaz e que estamos aqui para ajudar uns aos outros. Os colegas são bem compreensíveis, o respeitam e ajudam. Ele não acompanha a turma nos passeio fora da escola, fica em casa. Sabemos que estas pessoas estão amparadas em lei e tem direito a inclusão.

            Pela Constituição Federal, Capítulo II, Seção I, "a educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade(...)". Por si, este artigo já valeria para os deficientes. Além disso, o artigo 208, inciso III, reaseegurao"(...) atendimento educacional aos portadores de deficiências, preferencialmente na rede regular de ensino. A Lei Federal 7.853 dispõe sobre o apoia aos deficientes e sua integração social, definindo o preconceito como crime. Nesse sentido nenhuma escola ou creche pode recusar, sem justa causa, o acesso ao deficiente à instituição.

 

 Depois de conhecer as Leis analisei alguns trabalhos do Pedro

 

 

 

Texto que o Pedro escreveu sobre o zoológico. Consegui ler apenas a palavra zoológico. 

 

      

 

Ditado de palavras: Fiz o ditado e em seguida pedi para ele ler as palavras. Algumas  delas, Pedro não lembrava mais.

          

 

Ele gosta de rabiscar nos desenhos e na maioria das vezes nem  os pinta. 

 

            

 

 

 

 

SEGUNDA SEMANA

 

 

É inaceitável que nossas escolas continuam sendo produto e produtoras de exclusões sociais, dos mais diversos tipos. A resistência em mudar o paradigma que sustenta um perfil excludente de educação, em que as “categorizações” das pessoas por suas diferenças sociais, econômicas, psíquicas, físicas, culturais, religiosa, raciais, ideológicas e do gênero reforçam conflitos e violências físicas e simbólicas, e tornam-se entrave para a constituição da inclusão social.

 A escola precisa mudar e não os alunos e as alunas. Ela precisa ser ressignificada de acordo com o paradigma da ética, cidadania e democracia que sustenta os movimentos inclusos.

Se o primeiro passo foi a luta pelo acesso, em que os resultados já são visíveis, o segundo está na conquista da qualidade de educação para cada um e para todas as pessoas, de forma a consolidar a inclusão e a igualdade de oportunidades para todos os seres humanos. Dessa maneira estaremos combatendo as exclusões em suas distintas formas de manifestações. 

  Nós professores temos a pretensão de que a escola possa ser mais. Que possa constituir-se como um espaço de vida e de crescimento. Por isso, procurei a direção da escola e conversei sobre inclusão. Pedi ajuda para que o Pedro (nome fictício) possa ser plenamente incluído em todas as atividades escolares, respeitando as suas limitações. A direção da escola assumiu a sua parcela de culta por estar acomodada diante dessa situação. Conversamos com a mãe do Pedro para juntos buscarmos ajuda. Por desleixo da escola, não tem nenhum atestado em sua pasta de matrícula que comprove a dislexia do menino. A mãe relatou que perdeu o atestado da avaliação que comprove a dislexia. Atestado que foi feito com uma psicopedagoga de Porto Alegre.

     Percebi que a direção da escola sentiu-se desconfortável com os questionamentos sobre inclusão. Acredito que juntos vamos conseguir construir tendas que contemplem as diferenças, constituindo-se em contínuas montagens e transformações na busca da verdadeira inclusão em nossa escola.

Nesta semana o aluno foi encaminhado para atendimento particular com uma especialista de Novo Hamburgo. Ela é psicopedagoga e psicoterapeuta, já atendeu vários alunos da nossa escola e diagnosticou os problemas de aprendizagem e fez tratamento. Esta psicopedagoga também já palestrou para os professores.

Enquanto isso fui lendo alguns textos e assistindo alguns vídeos sobre dislexia.

 

  ☺Textos sobre dislexia

 

Fiquei surpresa ao descobrir que muitos alunos são disléxicos e passam despercebidos em nossas escolas. Muitas vezes, crianças inteligentíssimas, mas que sofrem de dislexia, aparentam ser péssimos alunos; muitas dessas crianças se envergonham de suas dificuldades, abandonam a escola e se isolam de amigos e familiares. Muitos pais por falta de conhecimento, se envergonham de ter um filho disléxico e evitam tratar do problema. Isso é lamentável, pois crianças disléxicas que recebem tratamento apropriado podem não apenas superar essa dificuldade, mas até utilizá-la como benefício para se sobressair pessoal e profissionalmente.

 

 

 

  SINTOMAS DA DISLEXIA

 

  ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE DISLEXIA

 

  O QUE É DISLEXIA? CAUSAS, SINAIS, CURA

 

 

 

    TERCEIRA SEMANA

 

            O Pedro teve seu primeiro atendimento com a Psicopedagoga.

 

Na terceira semana entrevistei um amigo que brinca bastante com o Pedro, à tarde, numa praça em frente a sua casa.

O amigo me contou que o Pedro chora quando perde ou não consegue participar das brincadeiras. Ele se isola por algum tempo ou vai para casa, mais tarde volta, mas se os amigos pedem desculpa ele não os perdoa. Depois de algum tempo volta a participar das brincadeiras.

 

Entrevista com a professora do ano anterior.

 

      O Pedro, no decorrer do ano de 2008, demonstrou extremos de comportamento, por vezes se agitava, por vezes estava calmo, tranquilo e de repente, de súbito, se agitava, começava a chorar alegando algum motivo, que muitas vezes parecia banal.     

     Algumas vezes, até parecia sentir um sentimento de solidão, de tristeza, talvez até um pedido de socorro por parte do Pedro, não sei explicar.

     Percebia que ele gostava de vir para aescola, principalmente quando podia relatar fatos, contar algumas histórias, algumas até tão" fanatasiosas" que pareciam demais para ser verdade e perguntava: "É mesmo, Pedrinho? Isso é verdade?" E ele dizia convicto que sim.

     Parcebia que gostava de estar no convívio dos colegas, de jogar bola. Mas não gostava de participar de brincadeiras dirigidas. Assim também na sala de aula, qualquer atividade que lhe exigisse mais, tornava-se arredio e arranjava desculpas para nem tentar.

     Com relação à apredizagem, o Pedro obteve "pouquissímos avançoas. Conseguiu ler algumas palavras que memorizou. Sempre teve, embora todos os exercícios que se realizasse, muita dificuldade de coordenação motora. Nunca conseguiu escrever com letra cursiva ou de forma, legível

 

      QUARTA SEMANA

 

    O Pedro teve seu segundo atendimento com a Psicopedagoga.

 

Pedro voltou desanimado para a escola.

É possível que o desinteresse dos alunos exclusos seja capaz de produzir uma reação depressiva, que pode ser conseqüência do próprio insucesso escolar, que secundariamente se estabiliza, sendo sustentado pelo desinteresse escolar.

O insucesso e o desinteresse escolar dificultam o desenvolvimento das aprendizagens do aluno.

 

QUINTA SEMANA

 

    O Pedro teve seu terceiro e último atendimento com a Psicopedagoga. 

 

Com a participação dos pais na educação dos filhos, acabam tendo acesso a informações sobre o funcionamento da escola e sobre fatos e relações que aí acontecem e se tornam de grande importância, seja para viverem a participação nas decisões, seja como elemento para fundamentar suas reivindicações como cidadãos.

Os pais de crianças com necessidades especiais, com bastante freqüência na escola, diminuem sua ansiedade e conseguem auxiliar melhor os eu filho.

Nesta semana fui até a casa do Pedro para conversar com sua mãe.

O Pedro tem uma irmã de 15 anos e um irmão de 11 anos. Os pais são autônomos, tem uma firma própria. São atenciosos, participam das reuniões e comparecem a escola sempre que são convidados.

A mãe contou que percebeu que seu filho tinha algo diferente quando começou a falar. Ele começou a andar com 10 meses. As dificuldades maiores começaram a surgir quando ele tinha um ano de idade e foi para creche. Não dormia durante o dia, chorava muito e até quebrou um vidro da janela. Naquela época um pediatra disse para a mãe que o Pedro era “louco”.

Segundo a mãe, com seis anos foi comprovado que ele tem dislexia, mas ela perdeu a avaliação escrita da psicopedagoga. Até os sete anos eles moravam em Santa Catarina, depois o Pedro estudou na primeira série de um a escola pública da Região Metropolitana. A professora não aceitava a diferença do Pedro, mais uma vez ele foi considerado “louco”. Como não estava dando certo na primeira série, ele voltou para a educação infantil porque a professora tinha paciência com ele.

O único atendimento especializado que o Pedro teve até agora foi da fonodióloga do município.

Em casa, a irmã do Pedro não pode tocar nos seus pertences, ele fica muito bravo. Só vai ao mercado quando sabe o lugar das mercadorias e não precisa falar com ninguém, caso contrário não vai.

A mãe já tentou várias vezes atendimento com psicóloga do município, mas não conseguiu. Dizem que a fila de espera é grande. Assim já se passaram doze anos, em outubro o Pedro já vai completar treze anos e nada foi feito.

A pisopedagoga que fez a avaliação recente do Pedro, disse inicialmente que seriam necessárias oito consultas para diagnosticar a dificuldade do Pedro. Em três consultas de quarenta minutos cada ela já conseguiu diagnosticar o Pedro.

 

SEXTA SEMANA

 

 

Os pais do Pedro tiveram oportunidade de conversar com a psicopedagoga e  receberam o resulatdo da avaliação.

 

Nesta semana o Pedro disse: que bom que eu não preciso mais ir na doutora, ela me enche de beijos e eu não gosto. O pai e mãe vão conversar com ela depois com a professora.

 

Acredito que como professora estou no caminho certo, estou desenvolvendo investigações na prática educacional, não limitando-me apenas em saber se é um aluno de inclusão. Estou contribuindo para a transformação da realidade, buscando melhorar  as aulas para os meus alunos.

A transformação da nossa prática educacional, com certeza contribui para uma melhora em em processo educativo, alterando a concepção de professores como transmissores de conhecimentos, vivenciando a situação de ser um investigador ativo-crítico do seu trabalho, como disse Paulo Freire "o professor antes de tudo deve ser também político, para desenvolver a ação social que lhe é atribuída.

 

SÉTIMA SEMANA

 

Nesta semana psicopedagoa viria conversar comigo, mas em função do feriado do dia 21/05 foi transferido para o dia 26/05.

 

 

Nesta semana o Pedro veio triste para a escola, mas não contou o que havia acontecido. De repente ele levantou-se, olhou amedrontado pra os lados, deitou-se sob a mesa e começou a chorar. Os colegas ficaram calados, e espantados com a atitude do colega. Eles o respeitam muito.

Convidei-o pra conversarmos fora da sala de aula. Ele estava suando, apavorado e dizia que estava com medo, muito medo. Abracei-o e disse que eu estava ali para protegê-lo e que nada de mal lhe iria acontecer. Ele bebeu água, conseguiu se acalmar e entrou na sala.

Eu não consegui entender o que estava acontecendo, o Pedro tem dificuldades na fala. Liguei então para a sua mãe, e ela me contou que a noite anterior o amigo do Pedro que é de Santa Catarina estava em sua casa e recebeu a notícia do assassinato do seu irmão. Ele perdeu o controle e começou a gritar e a jogar as cadeiras da casa do Pedro. Isso o deixou com muito medo.  Com esse acontecimento o Pedro achou que iria perder o seu amigo.

Voltei a conversar com o Pedro, ele chorou muito e consegui aos poucos superar o trauma.

 

 

 

    OITAVA SEMANA

 

O especialista tem o papel de assessorar a escola e os professores. É isso que a psicopedagoga veio fazer no dia 26/05 em nossa escola. Conversaremos sobre o Pedro.

 

  AVALIAÇÃO PSICOPEDAGÓGICA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  

 

 

 

 

 

 

 

Comments (1)

liliana said

at 11:11 pm on Jun 24, 2009

Rosilaine

estas de parabens!!! teu dossie é cheio de exemplos, de relato, gostei.
só tem um problema com algumas imagens que sao grandes e demoram para carregar, podes solucionar isso tentando diminuir a resolução das imagens para que elas fiquem menores.
abraços
liliana

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