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DOSSIÊ DE INCLUSÃO

Page history last edited by Rosilaine Jacoboski 3 years ago

 

 

 

 

 

 

 MINHA EXPERIÊNCIA COM INCLUSÃO 

 

 

 

                      

 

 

No ano de 2006, tive a minha primeira experiência com inclusão escolar. A aluna Catarina (nome fictício) é portadora da síndrome de down. Ela estava na terceira série, não alfabetizada.

Por falta de conhecimento, os pais a tratavam como uma criança anormal, “coitadinha” e por isso, não tinha limites. Achava que podia sair da sala de aula a hora que ela queria. Não se envolvia nas pequenas tarefas diárias como a limpeza da sala e nem aceitava atividades diferenciadas. Ela afirmava que era grande e no entanto nem sabia ler. Foi bem difícil, ela teimava muito.

A Catarina foi bem acolhida na escola e na turma. Na questão da afetividade, do respeito aos portadores com necessidades especiais houve uma evolução significativa. Ela abraçava e beijava todos, a turma foi unindo-se cada vez mais fortalecendo os laços de amizade.  Os colegas a cuidavam no recreio e sempre estavam dispostos a ajudá-la.

Em relação à aprendizagem, não houve mudanças, pois a escola e inclusive eu não estávamos preparadas para trabalhar com esta aluna.

Em meados de setembro, a Catarina ficou uma semana afastada da escola por problemas de saúde. Quando ela retornou para a escola não se sentia parte dela e dizia para a mãe que ficar em casa dormindo. Os pais decidiram então que ela iria freqüentar somente a APAE no turno da tarde.

Esta é a realidade cotidiana em muitas escolas. Os alunos com necessidades educacionais especiais estão inseridos nas salas de aula regular vivendo uma situação de experiência escolar precária, ficando quase sempre à margem dos acontecimentos e das atividades em classe, porque muito pouco de especial é realizado em relação às características de sua diferença.

 

 

 

 

 

 

 

INCLUSÃO NA MINHA ESCOLA 

 

 

       

 

 

Trabalho na rede Estadual de Educação do Município de Ivoti, com uma turma de 4ª série. Em nossa escola estudam aproximadamente oitocentos e setenta alunos nos três turnos da Educação Infantil ao Ensino Médio.

 No caso da Educação Especial Brasileira, tem muitas leis bem elaboradas, que garantem materiais didáticos e pedagógicos,salas com recursos multifuncionais e atendimento educacional especializado.

A Rede Estadual de Educação tem mostrado uma tímida presença na oferta desses serviços. Ela garante a matrícula para os portadores de necessidades educacionais especiais. No entanto, esses alunos na maioria das vezes engrossam as fileiras daqueles que não aprendem, são repetentes e abandonam a escola.

         Na minha turma tenho um aluno de doze anos, alto, com séria dificuldade na comunicação e não está alfabetizado. A mãe afirma que ele tem dislexia. Este aluno está ciente das suas dificuldades e se sente desconfortável na turma. Ele se curva na cadeira ou se deita sobre a mesa para se igualar na estatura com os demais colegas do grupo. É um aluno com limitações que justificam a necessidade de apoio complementar. Eu como professora não posso fazer o trabalho de fonodiologa e nem de psicóloga. Faço o que posso na parte didática e afetiva.

Nós professores temos a pretensão de que a escola possa ser mais. Que possa constituir-se como um espaço de vida e de crescimento. Por isso, procurei a direção da escola e conversei sobre inclusão. Pedi ajuda para que o Pedro (nome fictício) possa ser plenamente incluído em todas as atividades escolares, respeitando as suas limitações. A direção da escola assumiu a sua parcela de culta por estar acomodada diante dessa situação. Conversamos com a mãe do Pedro para juntos buscarmos ajuda. Por desleixo da escola, não tem nenhum atestado em sua pasta de matrícula que comprove a dislexia do menino. A mãe relatou que perdeu o atestado da avaliação que comprove a dislexia. Atestado que foi feito com uma psicopedagoga de Porto Alegre.

Fiquei angustiada, pois como sabemos o atestado é fundamental para conseguir ajuda. Enquanto isso vou fazendo o possível para que o Pedro permaneça na escola, porque o professor também deve ser capaz de flexibilizar seus objetivos e planejar com certo nível de individualização a quem precisa.

Além do Pedro, temos em nossa escola uma aluna da primeira série do Ensino Médio com hidrocefalia e nada está sendo feito. Não temos nenhum atendimento especializado em nossa escola. No noturno temos um aluno que utiliza a cadeira de rodas para sua locomoção. Este ano foi construído rampas facilitando o acesso para este aluno.

Percebi que a direção da escola sentiu-se desconfortável com os questionamentos sobre inclusão. Acredito que juntos vamos conseguir construir tendas que contemplem as diferenças, constituindo-se em contínuas montagens e transformações na busca da verdadeira inclusão em nossa escola.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Comments (2)

Maria del Carmen Cabrera Martins said

at 11:57 pm on Apr 20, 2009

Rosilaine, na sua grande maioria os portadores de sindrome de down são muitos afetuosos e tranquilos. Espero que nossa disciplina de proporcione subsidios para poder ajudar melhor a tua próxima (s) aluna (o).
Abraços
Maria del Carmen

liliana said

at 7:46 pm on Apr 23, 2009

Rosilaine

gostei do teu relato, acho que o que colocas é uma verdade...muitas vezes somos nós (pais, maes, professores) que ao não acreditar no potencial do aluno, alimentamos a exclusão tentando nos convencer que isso é o melhor.

Sobre o caso da tua turma, acho que tens um material excelente para um estudo de caso, e gostaria entao te convidar para estudares mais sobre os problemas de comunicação. O diagnostico de dislexia é algo confirmado ou somente a mãe afirma?
procura na internet material sobre dislexia...e coloca os links aqui no teu dossie...vamos começar teu estudo de caso...parabéns!!
abraços
lili

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